Entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025, o Brasil abriu mão de R$ 396,9 bilhões em benefícios tributários. Esse número, por si só, já impressiona. Mas o que revolta ainda mais é descobrir que quase um terço desse valor foi parar nas mãos de apenas 47 empresas.
Sim, você leu certo. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam cortes em serviços públicos, filas na saúde e escolas sucateadas, um seleto grupo de CNPJs recebeu R$ 120,7 bilhões em renúncias fiscais.
Essas decisões são tomadas a portas fechadas, longe da população. Quem fiscaliza os critérios? Você teve algum poder de decisão sobre isso? Claro que não. O modelo atual é um palco onde poucos decidem por todos.
Segundo a própria Receita Federal, 91.979 empresas foram contempladas com algum valor de isenção. Mas a concentração extrema desses benefícios nas mãos de poucos mostra como a lógica do sistema favorece os grandes — o topo da pirâmide segue protegido, enquanto o povo segue pagando a conta.
A solução em debate no Congresso é cortar linearmente 10% dos incentivos. Em vez de discutir quem realmente se beneficia e por quê, o sistema escolhe cortar na base e preservar o topo.
A democracia verdadeira precisa existir também nas decisões econômicas. Quem arrecada e para onde vai o dinheiro deveria ser pauta diária de consulta popular. Essa é a essência da democracia direta: um modelo onde o povo decide, não apenas escolhe representantes a cada quatro anos.
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