Imagine a seguinte cena: você acorda cedo, passa horas em uma fila sob chuva ou sol para tentar agendar uma consulta para daqui a seis meses no posto de saúde e, quando finalmente é atendido, descobre que faltam medicamentos básicos. Essa é a rotina de milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).
Agora, mude de cenário. Enquanto o cidadão comum tem que lidar com a escassez do atendimento público, a elite política do país desfruta de planos de saúde de alto padrão e reembolsos médicos milionários às custas do povo. Apenas no Senado, por exemplo, os gastos com assistência médica ultrapassaram R$40 milhões em um único ano.
O contraste não é só chocante, ele escancara uma injustiça estrutural do nosso sistema.
O desenho atual da saúde pública e privada para a classe política coloca todo o custo nas costas de quem não usa o serviço. O eleitor que depende diariamente do SUS financia, por meio dos seus impostos, um plano de saúde para a elite do Congresso que chega a ser 46 vezes mais caro do que o valor que o Estado investe no seu próprio atendimento público.
Na prática, isso significa que a população de menor renda trabalha, produz e recolhe impostos para custear tratamentos de ponta nos melhores hospitais privados do país para deputados e senadores. A conta não fecha: a despesa média mensal por senador ultrapassa R$5,3 mil, enquanto o valor investido na saúde pública de cada brasileiro é de apenas R$116 por mês.
| 46x mais caro que o gasto por brasileiro no SUS | R$5,3 mil gasto médio mensal por senador em saúde | R$116 investidos por mês na saúde de cada brasileiro |
Dessa maneira, a infraestrutura básica do país que serve ao povo segue sucateada. O trabalhador paga duas vezes: uma com a sua saúde precarizada no SUS e outra com o financiamento do privilégio alheio.
Por que esse cenário persiste sem grandes mudanças? A resposta está na forma como o sistema representativo atual foi construído. A política deixou de ser um serviço temporário de cidadania para se transformar em uma carreira profissional blindada de regalias e isolada dos problemas reais do povo.
Ao se tornarem políticos profissionais sustentados por privilégios vitalícios, os congressistas desconectam-se totalmente da realidade do eleitor. Quem não precisa encarar a fila do posto de saúde e possui reembolsos integrais para a rede privada jamais terá a urgência real de priorizar a melhoria do SUS.
Para resolver isso de forma estrutural, é preciso ir direto à raiz do problema:
| 🔁 O fim da política como carreira profissional A atuação política deve voltar a ser um dever cidadão com limites de tempo e sem espaço para enriquecimento ou perpetuação no poder. |
| 🚫 O fim irrestrito de privilégios e foros especiais Políticos devem estar submetidos às mesmas condições, deveres e serviços públicos oferecidos a qualquer outro cidadão. |
Por isso, para o MRPaz, a verdadeira transformação social exige que a sociedade tome o controle direto das decisões e do destino do país.
O modelo da Democracia Econômica Municipalista Plebiscitária e Direta (DEMPD) propõe que o livre-arbítrio e o poder de decisão não sejam mais terceirizados a uma minoria encastelada em privilégios. Quando o povo decide diretamente por meio de plebiscitos e participação ativa, os recursos arrecadados passam a servir ao bem-estar coletivo e à garantia da dignidade humana, e não ao financiamento da "economiadoum", o 1% favorecido do sistema.
Sob a lógica do MRPaz, a saúde, a educação e a infraestrutura básica não são regalias, mas direitos primários que devem ser assegurados com rigor.
Não podemos mais aceitar que a urgência da saúde da população seja tratada como segundo plano enquanto os privilégios da máquina pública continuam intocados.
É hora de acabar com a política de carreira, eliminar regalias injustificáveis e construir uma democracia real, feita pelo povo e para o povo.