O contraste entre os privilégios da classe política e a realidade da população que depende do SUS é alarmante. Enquanto milhões de brasileiros aguardam anos por consultas, exames e tratamentos — muitas vezes pagando com a própria vida pela demora — senadores e deputados têm acesso a um dos planos de saúde mais completos e caros do país, sem gastar nada. O benefício se estende a cônjuges, filhos e até viúvas, representando um enorme peso para os cofres públicos e escancarando a desigualdade no acesso à saúde.
Um plano de saúde de luxo, sem esforço e vitalício
No caso dos senadores, basta cumprir 180 dias ininterruptos no cargo para ter direito vitalício ao plano de saúde, sem metas, sem contribuições e sem qualquer contrapartida. O benefício se estende não apenas a eles, mas também a familiares, e cobre até procedimentos como implantes dentários de ouro. Mesmo parlamentares cassados por falta de decoro ou investigados por corrupção continuam desfrutando do privilégio.
Os deputados, por sua vez, podem se tratar em hospitais e clínicas particulares e solicitar reembolsos que são pagos diretamente com dinheiro público. Em 2022, segundo levantamento do jornalista Lúcio Vaz, o Plano de Saúde do Senado, que atende 598 beneficiários, custou R$ 31,7 milhões aos cofres públicos.
Números que só crescem
Atualmente, cerca de 260 senadores ou ex-senadores utilizam o plano, além de mais de 60 cônjuges, quase 90 filhos, 122 cônjuges de ex-senadores e 59 viúvas. Ou seja, uma rede extensa de dependentes sustentados pelo dinheiro da população.
Enquanto isso, a fila do SUS continua aumentando: somente no Rio Grande do Sul, quase 2.500 pessoas morreram entre 2023 e 2024 aguardando atendimento. Em nível nacional, mais de 110 mil pessoas morreram na fila de espera por radioterapia, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Radioterapia.
A conta que não fecha
De acordo com o Senado, a idade avançada da maioria dos parlamentares eleva os custos do plano, já que pacientes idosos demandam mais cuidados médicos. Mas, em vez de arcar com as próprias despesas, os senadores fazem a sociedade pagar a conta. Assim, enquanto uma elite política desfruta de saúde privada de excelência, o povo segue morrendo à espera de atendimento básico no SUS.
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