A divulgação dos valores do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026 mostra um cenário alarmante: serão repassados R$ 4,9 bilhões a 30 partidos políticos. O montante, que quase triplicou desde 2018, quando era de R$ 1,7 bilhão, evidencia o abismo existente entre as prioridades da classe política e a realidade das ruas. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) organiza a partilha de bilhões para financiar campanhas, metade da população brasileira segue enfrentando dificuldades para realizar as três refeições diárias. Essa desconexão escancara o que Luiz A. Salies conceitua em seu livro A Revolta da Paz: a chamada "democracia" representativa e liberal transformou-se no sistema mais injusto e excludente da história, funcionando como uma verdadeira "ditadura econômica" que beneficia uma minoria em detrimento de 99% da população.
O fundo eleitoral em números
Ao analisarmos onde esse dinheiro público será gasto, o cenário torna-se ainda pior. Os maiores ralos do dinheiro do povo estão na produção de programas para rádio e TV e no impulsionamento digital, com forte inserção de ferramentas de Inteligência Artificial e profissionais especializados em algoritmos para microssegmentação de dados.
Gastar bilhões de recursos coletivos para estruturar campanhas de marketing enquanto os serviços essenciais sofrem por falta de verbas não é democracia.
PL — maior fatia do fundo eleitoral
PT — segunda maior fatia do fundo
Principal destino do dinheiro: propaganda e marketing digital
Assim, vemos que o modelo atual baseado em partidos políticos e na intermediação do voto faliu. O surgimento do Fundo Eleitoral como substituto das doações privadas criou uma blindagem estatal em que as maiores siglas garantem fatias gigantescas do orçamento simplesmente para autopromoção.
No livro A Revolta da Paz, o autor propõe que é preciso passar uma borracha nessa engrenagem partidária tradicional. O sistema atual confisca o livre-arbítrio do eleitor, que terceiriza sua capacidade de decisão para um parlamentar que, frequentemente, passa quatro anos legislando para si mesmo e os seus.
Deixar as decisões mais importantes da nação nas mãos de intermediários privilegiados pela estrutura pública só resultou em crises sucessivas e no aprofundamento das desigualdades sociais.
Para romper com essa engrenagem focada no autofinanciamento e na ganância, a resposta está na descentralização radical do poder. Os ideais do MRPaz apontam para a urgência de implantar a Democracia Direta.
O próprio povo deve decidir diretamente os rumos do país por meio do voto direto e frequente em plebiscitos, sem a necessidade de intermediários.
As transformações sociais começam nas cidades, tornando o município o centro real do poder democrático.
Democracia Econômica Municipalista Plebiscitária e Direta: ética e finalidade social sobre os recursos públicos.
Somente quando o cidadão resgatar o poder de decisão e instituir a DEMPD, aplicando a ética e a finalidade social sobre os recursos públicos, o Brasil deixará de ser um paraíso de privilégios para se tornar uma nação verdadeiramente justa, solidária e digna para todos.