O Brasil se deparou recentemente com um número que chama atenção: o lucro líquido dos bancos alcançou um recorde histórico em 2025, chegando a R$255 bilhões. O resultado, impulsionado por juros elevados e pela manutenção da taxa Selic em patamares altos, contrasta com a realidade enfrentada por grande parte da população brasileira.
Enquanto o setor financeiro comemora resultados inéditos, cresce o debate sobre a concentração de riqueza e sobre quem participa das decisões que moldam a economia nacional.
Esse cenário revela um problema estrutural: a economia atual permite que grandes ganhos sejam concentrados, mesmo quando dependem de uma estrutura construída coletivamente pela sociedade.
O lucro bancário em números
Nenhuma grande atividade econômica funciona isoladamente. Empresas e instituições financeiras utilizam diariamente uma estrutura nacional formada por investimentos públicos e pelo trabalho de milhões de cidadãos.
A segurança jurídica, as redes de comunicação, a educação que forma profissionais, os serviços públicos e toda a organização estatal fazem parte do ambiente que permite o funcionamento da economia.
Diante disso, a questão que fica é: se toda a sociedade participa da construção das condições que permitem a geração de riqueza, por que os resultados permanecem concentrados apenas em determinados grupos?
"O lucro não deve ser visto apenas como resultado individual, mas também como fruto de uma construção coletiva que envolve toda a sociedade."
Essa é a base da proposta da Finalidade Social do Lucro, apresentada no livro A Revolta da Paz, de Luiz A. Salies.
Segundo a visão apresentada na obra de Salies, o caminho não estaria em ações pontuais ou apenas filantrópicas, mas em uma mudança estrutural na forma como as decisões econômicas são tomadas.
A proposta é a implantação da DEMPD: Democracia Econômica Municipalista Plebiscitária e Direta, um modelo em que a população participe diretamente das decisões que impactam a vida econômica e social do país.
A ideia central é aproximar o cidadão das decisões, fazendo com que a economia também seja um espaço de participação democrática.
O debate proposto pelo MRPaz parte de uma pergunta fundamental: a economia de um país deve ser definida apenas por grupos com maior poder financeiro ou deve contar com a participação direta da população?
A proposta da democracia econômica defendida no livro busca transformar essa lógica, colocando a dignidade humana e a participação popular como elementos centrais das decisões econômicas.
O lucro deixa de ser apenas uma conquista privada e passa a ter uma finalidade social, em equilíbrio com o bem-estar coletivo.
Democracia Econômica Municipalista Plebiscitária e Direta: o cidadão participa diretamente das escolhas econômicas.
A discussão sobre bancos, juros e concentração de riqueza é, portanto, parte de um debate maior: quem realmente participa das escolhas que definem o futuro do país?